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terça-feira, 28 de julho de 2009

Um “jeitinho brasileiro” foi o comentário menos depreciativo que os ufólogos da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) encontraram para explicar os documentos ufológicos enviados pelo Ministério da Defesa à Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito Federal (AN/COREG).

As pastas enviadas à COREG, contendo 213 páginas de cópias xérox mal feitas e alguns recortes de jornal, representam menos de 1% do que os ufólogos solicitaram no Dossiê UFO Brasil.

Para o membro mais otimista da CBU, após a liberação dos arquivos ingleses, pelo menos a ponta do iceberg já pode ser vislumbrada. Entretanto, a conclusão mais sensata entre os ufólogos é a de que se tornou inevitável medidas mais enérgicas para arrancar o resto do Ministério da Defesa.

Numa entrevista concedida ao portal do jornal O Globo, em janeiro de 2008, o brigadeiro José Carlos Pereira, um dos homens mais bem informados sobre a documentação ufológica brasileira, deu a entender que os ufólogos poderiam se decepcionar com os arquivos que seriam liberados pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Comdabra).

Mas quando entrevistado pela Revista UFO, em março deste ano, ele não só confirmou a existência de farto material, inclusive a parte solicitada pelo Dossiê - que se encontra tanto no Comdabra quanto na sede do Comando da Aeronáutica (MD/COMAER) - como confirmou existir muito mais, inclusive no antigo Serviço Nacional de Inteligência (SNI), atual Agência Brasileira de Inteligência (ABIN).

Disse ainda que a forma para acesso a esses documentos seria através da Casa Civil, que é exatamente onde a primeira cópia do Dossiê está, desde que foi protocolada no dia 26 de dezembro de 2007.

Somente 10 meses depois, em 31 de outubro de 2008, que as cópias de alguns desses documentos ufológicos militares foram enviados à COREG, mas não continham a maior parte das milhares de páginas, fotos e horas de filmes dos arquivos do COMAER. A parte principal, como a Operação Prato e a Noite Oficial dos UFOs no Brasil, não foi disponibilizada.

Vale ressaltar que só as três pastas conferidas manualmente pelos membros da CBU, quando de sua visita ao CINDACTA em maio de 2005, incluindo esses dois casos citados, continham bem mais do que as 213 cópias enviadas ao AN. Além do mais, como já fora motivo de desconfiança antecipada por este membro da CBU, nada da Marinha e nem do Exército foi disponibilizado.

A sensação geral que ficou na CBU, após a confirmação do parco material, foi a de que esse primeiro ato do Ministério da Defesa não passou de uma brincadeira de mau gosto, tentando-se passar um atestado de estupidez e incompetência aos ufólogos signatários do Dossiê UFO Brasil. Seria a esta “abertura à brasileira” que o brigadeiro se referia na sua entrevista ao portal do Globo? Provavelmente, pois quando comentamos com o próprio sobre a iminência de se buscar o restante dos documentos na justiça, prontamente o oficial da reserva, como lhe é de costume em seus comentários sucintos, arrematou: “já passou da hora”.

O material, que já está disponível a quem quiser conferir, trata-se de cópias dos originais, distribuídos da seguinte forma:

Pasta 1 – 1952 – Caso Barra da Tijuca
Pasta 2 – 1954 – Relato de um comandante da VARIG e síntese de ocorrências de avistamentos
Pasta 3 – 1955 – Relato sobre UFO em Araras (SP)
Pasta 4 – 1956 – Relato sobre UFO em São Sebastião (SP)
Pasta 5 – 1962 – Caso Duas Pontes, de Diamantina (MG)
Pasta 6 – 1968 – Relatos diversos no estado de (SP)
Pasta 7 – 1969 – Relatos diversos nos estados de SP, MG e RJ
Pasta 8 – 1969 – Boletins do SIOANI
Pasta 9 – 1969 – Recortes de jornaisde abril a junho

Como se pode notar, o Ministério da Defesa não só passou a perna na Casa Civil, mas em toda a comunidade ufológica brasileira, numa atitude frontalmente ilegal, uma vez que existem incontáveis outros documentos com prazo de sigilo vencido, que já deveriam ter sido enviados ao AN, conforme decreto do presidente Lula assinado já com base na Lei 11.111/2005. Além do que, a lei manda que os originais sejam enviados, e não cópias. Só que agora, com esse ato, os militares o fizeram oficialmente, abrindo espaço para a CBU se utilizar de um remédio constitucional chamado mandado de segurança, a ser impetrado no Supremo Tribunal Federal. É o que os ufólogos já estão providenciando.

Entretanto, não se pode esquecer que este é apenas o pontapé inicial que obviamente nos levará a uma abertura total e irrestrita. A guisa dessa primeira abertura, já se vislumbra outras em curtíssimo prazo. Por exemplo, a CBU descobriu uma forma e já acionou o Arquivo Nacional para executar uma busca geral em todos os documentos lá guardados. Alguns órgãos subordinados ao Poder Executivo, os quais, obedecendo a ordem presidencial, diferentemente do que fez o Ministério da Defesa, enviaram muitas das suas pastas geradas no período de repressão militar à COREG.

Algumas destas possuem referências a investigações de UFOs. Como relatado acima, alguns dos documentos concernentes à Operação Prato, entre outros, foram parar no antigo SNI, por se tratar de assunto de segurança nacional. A atual ABIN, antigo SNI, já enviou vários arquivos à COREG, o que nos dá a possibilidade de buscá-los e encontrá-los, é só uma questão de tempo.

Portanto, a porta dos arquivos ufológicos da ditadura foi destravada, está entreaberta, com grande possibilidade de, em pouco tempo, ficar completamente escancarada. Tal fato, sem sombra de dúvida, representa uma das maiores vitórias da Comunidade Ufológica Brasileira. Esta vitória é dedicada a todos os ufólogos sérios que, capitaneados pela Revista UFOatravés da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, substancialmente colaboraram e continuam a colaborar para este feito inédito no país.


Fernando A. Ramalho

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