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terça-feira, 28 de julho de 2009


Quais seriam as chances de haver vida inteligente em sistemas planetários similares ao nosso? Já foram descobertas bilhões de galáxias e, apenas dentro da nossa própria galáxia (Via Láctea) há bilhões de estrelas.Um cálculo diz que pode haver 1 milhão de civilizações parecidas com a nossa por aí.
Em 1961, Frank Drake, astrônomo norte americano, atual diretor do Instituto SETI (Search for Extra Terrestrial Life – Busca por Vida Extraterrena), publicou uma equação que pretende fornecer o número de civilizações inteligentes e que desenvolveram tecnologia em nossa galáxia. Essa equação ficou conhecida como equação de Frank Drake.

A equação de Frank Drake fornece o número de civilizações em nossa galáxia que são inteligentes, desenvolveram tecnologia e são assim capazes de emitir sinais detectáveis por nós, assim como de detectar sinais que nós emitimos (civilizações comunicantes). Chega-se a esse número através da multiplicação simples de sete termos ou parcelas. A equação de Frank Drake é simples, mas chegar a valores razoáveis para cada uma dessas sete parcelas é extremamente difícil e complicado.


Onde:

* N é o número de civilizações comunicantes em nossa galáxia;
* E é o número de estrelas que se formam por ano na nossa galáxia;
* P é a fração, dentre as estrelas formadas, que possui sistema planetário;
* S é o número de planetas com condições de desenvolver vida por sistema planetário;
* V é a fração desses planetas que de fato desenvolve vida; I é a fração, dentre os planetas que desenvolvem vida, que chega a vida inteligente;
* T é a fração, dentre os planetas que chegam a vida inteligente, que desenvolve tecnologia
* C é a duração média, em anos, de uma civilização inteligente.

Frank Drake e a sua famosa equação que tenta calcular o número de civilizações tecnológicas na nossa galáxia com a possibilidade de estabelecerem comunicações entre si. Crédito: SETI Institute
Encontrar valores para E (estrelas), P (estrelas formadas com sistemas planetários) e S (número de planetas com condições de desenvolver vida em cada sistema planetário) é tarefa da Astronomia. Com base nas teorias atuais sobre formação de estrelas, não parece que estamos sujeitos a grandes erros se considerarmos E = 10,P = 1 e S = 1. A multiplicação dessas três parcelas nos permite dizer que, por ano, se formam 10 planetas em nossa galáxia com condições de abrigar vida.

Encontrar valores para V (fração daqueles planetas que de fato desenvolvem vida) e I (dentre os planetas que desenvolvem vida a fração destes que desenvolve vida inteligente) é tarefa da Biologia. Principalmente pela falta de outra amostra para a observação da vida, que não a Terra, há grande incerteza na atribuição de valores para essas duas parcelas. Vamos considerar que de dez planetas com possibilidades de desenvolvimento de vida, essa só se desenvolva efetivamente em um deles (V = 0,1). Da mesma forma, vamos considerar que de dez planetas que desenvolvam vida, um chegue a vida inteligente (I = 0,1).

T (dentre os planetas que desenvolvem vida inteligente, a fração que chega a desenvolver tecnologia) e C (duração média de uma civilização inteligente) estão na área político-sócio-econômica. A incerteza na atribuição de valores para essas duas parcelas é imensa. Também aqui vamos considerar que de dez planetas que alcancem vida inteligente, um desenvolva tecnologia (T = 0,1). Por fim, qual a duração média de uma civilização comunicante? A resposta a essa pergunta também envolve algum conhecimento de Astronomia.

Note que essa pergunta está intimamente ligada ao futuro da espécie humana. Há apenas cerca de 60 anos podemos nos intitular “civilização comunicante” e a Terra ainda poderá existir por uns 4,5 bilhões de anos, tempo de existência que ainda resta ao sistema solar. Alguns mais pessimistas acreditam que já estamos prestes a nos destruir. Alguns mais otimistas acreditam que o único limite para a nossa civilização é a destruição do sistema solar.

Existe também a possibilidade de destruição de nosso planeta em uma colisão com um cometa ou meteoro. Mesmo sabendo que estamos sujeitos a um grande erro, vamos considerar C = 10 milhões.

A atribuição dos valores para as parcelas acima foi feita norteada pela ciência atual, porém, com visões bastante otimistas acerca da vulgaridade da vida no universo, de tal forma que podemos falar que estamos obtendo o número máximo possível de civilizações comunicantes em nossa galáxia. Após multiplicarmos as parcelas acima, chegamos a um milhão. Isso quer dizer que é possível que tenhamos um milhão de civilizações, só em nossa galáxia, que mais do que inteligentes, desenvolveram tecnologia e são capazes de se comunicar conosco.

O bioquímico J. B. Haldane (1892-1964) afirmou um dia que: "O universo não é mais estranho do que imaginamos, mas mais estranho do que pudemos imaginar".

SOMOS FILHOS DAS ESTRELAS!

Parece poesia, mas é uma afirmação verdadeira que pode ser generalizada para:

"A vida contém e é contida pelas estrelas".

Esse pode ser um forte argumento favorável à existência de vida em outros lugares do universo.

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